Alta de juros: o que isso significa para você investidor?

Depois de 5 anos de baixa, iniciamos o ciclo de alta na taxa básica de juros a Selic.

Pois é, a taxa que chegou na mínima histórica de 2% e começou a subir no mês de março, faz com que a expectativa do mercado atual estime que a taxa SELIC atinja o patamar de 5% até o final do ano.

Beleza, mas o que todo esse economês significa para você, investidor?

Nesse artigo quero trazer alguns pontos importantes quando passamos a analisar o cenário econômico. Pontos que economistas e analistas do mercado possuem muito frescos na cabeça, mas sei que pode ser algo não trivial para a maioria das pessoas.

Então, para colocar todos na mesma página, vou começar do básico:

O que é a SELIC

Selic é a taxa básica de juros da economia, a sua meta anual é determinada a cada 40 dias pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), e diariamente é calculada através da média das operações do Tesouro Nacional.

Ela é tão importante que seu apelido é de “taxa mãe da economia”.

Como a SELIC impacta a economia

Basicamente, é a partir dela que todas as outras rentabilidades de investimentos, ou juros de dívidas, serão observadas. Hoje, um investimento que replica a SELIC e que é considerado o mais seguro do mercado, é o Tesouro Selic.

Trazendo para vida real

Quando falamos que a poupança não é um bom investimento é por que ela rende, atualmente, 70% da taxa SELIC + TR (que está zerada).

Então, você corre o risco do banco, pois está emprestando seu dinheiro para ele e tem um retorno menor que o Tesouro Selic – que como citei acima é o mais seguro do mercado.

Outro ponto também importante são as taxas de juros do crédito.

Quando a Selic cai, o intuito do Banco Central é aumentar a circulação de moeda na economia, fazer com que as pessoas tomem crédito ou “desentesourem” para aplicar ou gastar na economia real.

O foco é que através de uma taxa de juros mais baixa a economia seja estimulada. A grande questão é que uma economia estimulada e em desequilíbrio pode gerar outros problemas.

Não vou entrar nos mínimos detalhes, pois essa assunto pode se tornar bem complexo, mas é necessário entender que o principal problema que isso pode causar é muito conhecido por nós brasileiros, a temida inflação.

Vamos falar sobre ela, a Inflação

A inflação significa redução no poder de compra, em outras palavras quer dizer que a sua moeda consegue comprar menos coisas hoje em relação ao passado, mesmo possuindo a mesma quantidade de moeda.

Esse fenômeno da inflação pode acontecer por vários fatores, mas gosto sempre de exemplificar dessa forma para os clientes da consultoria financeira:

Neste momento deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o papo do início, e eu respondo: tudo!

O momento atual com a alta na SELIC

Essa alta na taxa de juros é um esforço do Banco Central, através da política monetária, de conter a inflação – que no primeiro trimestre de 2021 já acumulou uma alta de 2,05% sendo que o centro da meta é 3,5% a.a.

Assim como a taxa baixa tem o intuito de estimular e gerar mais investimento na economia real, a alta taxa tem o objetivo de conter a subida da inflação, mas, consequentemente, pode afetar o crescimento da economia.

Como a alta de juros impacta meus investimentos?

1 – Expectativas

Elas tem um poder muito grande do ponto de vista dos investimentos, pois o que o mercado (pessoas que investem tanto os profissionais e amadores) imaginam que irá acontecer com a economia, impacta diretamente números observados no dia a dia.

Um grande exemplo acontece com as taxas de juros futuras e de médio e longo prazo, que já passam a incorporar o risco maior ou até mesmo a inflação esperada para o período.

A cada semana é possível acompanhar o que o mercado acredita que irá acontecer via o boletim FOCUS liberado toda sexta-feira pelo Banco Central.

Hoje, as projeções de inflação situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,6% para 2022.

E é importante perceber que pelo histórico o mercado vem elevando cada vez mais essa projeção de subida e por isso, supõe trajetória de juros que se eleva para 5,25% a.a. neste ano e para 6% a.a. em 2022.

2- Taxa real

A taxa real é o que realmente mostra se o investimento está retornando positivamente ou não.

Mas o que significa a taxa real?

Basicamente é retirar a inflação do retorno bruto dos seus investimentos, calma que têm exemplo.

Vamos supor que você compra um tesouro pré-fixado 2024 que está pagando 7,97% ao ano. Essa é a taxa bruta, a taxa real será a seguinte:

Supondo a inflação para 2021 de 5% e de 2022 em diante de 3,6% temos:

Isso significa que o retorno da última coluna é o que realmente ocorreu de crescimento de riqueza no seu patrimônio investido.

3- Prefixado x pós fixado

Como pode ver no ponto 2 a taxa real depende da inflação e pode ser muito diferente da taxa observada.

Qual a diferença entre os tipos de investimento de renda fixa pré-fixado e pós-fixados?

Bom, os pré-fixados, como no exemplo anterior, mostram quanto terá de rentabilidade no momento que se adquire o título.

Já no pós-fixado, só saberá a rentabilidade correta depois. Isso porque você depende do indicador ao qual o investimento foi atrelado.

Um exemplo são os investimentos atrelados à Selic, tipo o Tesouro Selic 2024 ou os vários CDBs atrelados ao CDI.

Em momentos de incerteza sobre a subida do valor da Selic, e até mesmo da inflação, o mais interessante é apostar em investimentos pós fixados, já que ao ficar um longo período no pré você pode se surpreender e ter rentabilidade real negativa por conta da inflação ou pode perder uma subida acima do esperado pelo mercado das taxas futuras.

Claro que, existem várias outras questões que podemos abordar depois, pois são mais avançadas, como a marcação a mercado.

4- Renda variável

Como o nome já diz, ela vária e depende muito do sucesso dos empreendimentos que você compra. Sim, compra!

A renda variável tem como uma característica principal você se tornar dono de uma parte de uma empresa ou empreendimento quando compra uma pequena parte dele.

O ponto principal é que na renda variável você corre mais riscos e, por isso, deve ser remunerado melhor do que na renda fixa.

Em cenários de elevação da taxa, se reduz a quantidade de investimentos em renda variável atrativos, isso porque eles precisam oferecer uma rentabilidade mais atrativa do que a renda fixa que está se elevando.

É interessante olhar bem os impactos que os empreendimentos que deseja investir sofrerá com uma economia menos aquecida, com mais desemprego e inflação “fora” de controle.

É importante também lembrar que cenários macroeconômicos e expectativas do mercado mudam com mais frequência do que se deseja, por isso, uma boa alocação dos seus investimentos não deve se guiar, apenas, por esses pontos.

Seus objetivos, projetos pessoais, perfil de investidor devem ser respeitados e isso só é possível através de uma alocação adequada.

Falamos com mais profundidade sobre esse assunto no curso Portfólio da nossa Escola de Finanças.

Espero que com este artigo você tenha aprendido algo sobre o mundo dos investimentos.

Reforço que para investir de forma inteligente e não perder dinheiro o produto escolhido é só a ponta do iceberg. É preciso organizar bem a sua vida financeira, mapear objetivos e construir um portfólio que faça sentido com tudo isso.

Aqui na Papo de Valor, temos consultorias pessoais para planejamento financeiro e neste link você consegue agendar uma conversa comigo sem custo e aqui neste link você conhece a Escola de Finanças.

Jacqueline Ramos

Sou sonhadora e apaixonada por tudo o que me ajuda a realizar sonhos. Como economista descobri nas finanças um mundo muito vasto que pode começar com números, mas sempre diz mais sobre vidas.
Hoje sou planejadora financeira na Papo de Valor que potencializa ainda mais meu propósito de tornar pessoas reais protagonistas da sua história tornando seus sonhos em realidade.

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