Papo de Valor

Coronavírus: Empréstimos e linhas de crédito

Sendo bem sincera, acredito que o assunto dispensa apresentações:  Março de 2020, Covid19 e todo o planejamento financeiro (ou quase todo) de todo mundo (ou quase todo mundo) foi embora em poucas semanas.

E nesse cenário muitas pessoas viram o seu negócio sem o faturamento esperado, com despesas a pagar e caixa insuficiente para cobrir essa conta.

Se esse foi o seu caso e depois de todas as considerações você percebeu que a melhor saída é um empréstimo, é preciso entender como fazer isso da melhor forma, certo?

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Como funciona um empréstimo?

Então vamos lá! O primeiro passo é entender como funciona: Alguém (seja uma pessoa ou uma empresa) precisa de dinheiro emprestado e um outro alguém empresta esse valor. E para que essa atividade seja vantajosa e traga lucros, esse segundo alguém cobra juros.

Mas além disso, concorda que quem empresta corre o risco de não receber o valor emprestado? Por isso, há também a cobrança de juros por esse risco, e às vezes ainda pode ser solicitado algo em garantia para o caso da inadimplência.

Assim, os juros cobrados pelos empréstimos são maiores quanto menor a garantia que você ou o negócio consegue dar de que irá honrar com o compromisso financeiro feito. E pra comprovar essa capacidade, são analisados os patrimônios da empresa, o comportamento dela perante empréstimos e financiamentos anteriores, a lucratividade dos exercícios passados, a estrutura, as projeções de recebimentos, dentre outros fatores.

Um outro ponto importante a ser considerado é que em qualquer cenário, quanto maior o valor solicitado e o tempo necessário para pagamento, maiores tendem a ser as taxas de juros cobradas por quem empresta.

Resumindo, os juros variam caso a caso e dependem de alguns fatores, como o valor solicitado para o empréstimo, o tempo necessário para pagamento, o comportamento da empresa em casos de dívidas anteriores e as garantias dadas no momento da contratação.

Qual o plano para esse empréstimo?

Certo, entendido como funciona, o segundo passo é ter um plano: saber para quê esse dinheiro será usado, o quanto é realmente necessário e como a empresa irá pagar as parcelas nos próximos meses.

Eu ousaria dizer que essa é parte mais importante de todo o processo (não que as demais não sejam!), mas aqui qualquer detalhe pode tornar a empresa financeira e excessivamente vulnerável ao assumir riscos desnecessários ou grandes demais para a realidade do negócio.

Por isso, gaste o tempo necessário aqui! Ok?

Onde pego o empréstimo mais barato?

Já a terceira etapa é a pesquisa. Como qualquer outra compra, o produto empréstimo é ofertado por cada instituição financeira com preços e condições diferentes. Por isso, pesquisar as opções disponíveis no mercado faz com que sejam encontradas condições melhores para a realidade de cada empresa. Não tem resposta certa pra todo mundo. É preciso entrar em contato com os bancos e pesquisar o que há disponível para o seu CPF ou CNPJ.

Nesse sentido, além da possibilidade de suspensão dos pagamentos de prestações de empréstimos de pessoas físicas e jurídicas (falamos disso aqui), o Governo e as instituições anunciaram possibilidades de empréstimo e linhas de crédito com novas condições.

A Caixa Econômica Federal anunciou redução geral dos juros, mas há ainda condições para casos específicos:

  • No empréstimo de Capital de Giro a taxa máxima atual é em 1,51% ao mês (o que representa 19,7% ao ano) e o pagamento pode ser feito em até 60 meses.
  • Há a opção do Giro Caixa disponibilizado com recursos do PIS, e nessa opção os juros saem a partir de 0,83% ao mês com pagamento em até 24 meses.
  • Já na antecipação de recebíveis em cartão de crédito a taxa é de 0,99%.

O Banco do Brasil além das opções já oferecidas, oferece empréstimo com finalidade de Capital de Giro para MEI e empresas com faturamento anual até R$1milhão, em condições melhores nesse momento. Nesse sentido, anunciou juros a partir de 0,84% ao mês, com prazo de pagamento de até 24 meses e carência de até 90 dias.

Já o Bradesco disponibiliza o Capital de Giro em duas opções: na primeira, a taxa de juros é a partir de 0,94% ao mês, com prazo de pagamento de 36 meses. Na segunda a taxa é maior, a partir de 1,85% ao mês para pagamento em até 48 meses. Em ambas o limite de operação é de R$500 mil e há carência de até 60 dias.

Na Rede Sicoob as condições variam conforme a região, valendo a pesquisa para as opções no seu estado. Para Goiás as condições oferecidas para empréstimo de Capital de Giro têm limite de operação de R$100 mil, com prazo de pagamento de 12 a 36 meses e juros que variam conforme prazo – 1,09% ao mês se o pagamento for em até 12 meses, 1,14% se o prazo se estender a 24 meses e 0,80% + CDI para os pagamentos em até 36 meses. A carência oferecida é de até 50 dias.

No Sistema Sicredi a opção para empresas com recebíveis em aberto que têm interesse na antecipação, as condições variam conforme o recebível, e os juros incidente são a partir de 1,3% ao mês. Já para contratação de Capital de Giro, o limite é de R$150 mil, com taxa de juros a partir de 2% ao mês, e prazo de até 36 meses para pagamento. Nesse caso a carência é de 45 dias.

Para empresas que necessitem de um valor maior de empréstimo, as condições se alteram. As taxas caem para a partir de 1,5% ao mês e a carência é de 6 meses, mas o prazo se mantém em 36 meses.

Diversas Agências de fomento regionais anunciaram linhas de crédito especiais. Em Goiás especificamente são disponibilizadas pela Goiás Fomento as seguintes opções:

  • Linhas destinadas a MEI, Micro, Pequenas e Médias empresas, com valor máximo de R$80 mil, juros de 1,44% ao mês (considerando bônus de adimplência), prazo total de 36 meses para pagamento e carência de 12 meses.
  • Há também a opção para pessoa física em segmentos específicos como profissionais liberais, considerando a renda bruta anual de até R$360 mil – nesse caso a contratação máxima é de R$21 mil. Já para pessoas físicas prestadores de serviços, a opção conta com limite de contratação em R$15 mil, mantendo as demais condições.

Outra ação divulgada recentemente foi a do BNDES – o Banco Nacional do Desenvolvimento que liberou mais capital voltado para empréstimos de capital de giro. Nessa opção não há a necessidade de especificação da destinação do dinheiro, e o prazo total de pagamento pode chegar a 5 anos e a carência a até 24 meses. Lembrando que os empréstimos junto ao BNDES são intermediados por bancos e agências de fomento, e a avaliação de crédito é de responsabilidade da instituição financeira.

É possível pesquisar no site do Banco quais as instituições financeiras autorizadas em cada estado, e o histórico da taxa praticada nas últimas semanas. Por exemplo, no estado de Goiás os agentes financeiros que vêm operando com essa linha de crédito são Bradesco, BTGPactual, Creso, Itaú, Sicoob, Sicredi e Tribanco, onde as taxas variam de 9,14% a 15,35% ao ano a depender do porte, do ramo de atividade, da instituição financeira e da análise de crédito. Em geral, a taxa de juros média nacional praticada foi de 12,59% ao ano.

Uma medida anunciada pelo Governo se relaciona a possibilidade de Financiamento da Folha de pagamento de funcionários por até 2 meses, com o limite de até 2 salários mínimos por funcionários em contrapartida à garantia dos empregos por pelo menos 2 meses. Os juros sobre o valor do empréstimo será de 3,75% ao ano, com pagamento em até 36 parcelas, e 6 meses de carência para início do pagamento do valor do empréstimo.

Medidas e ações que estão em análise

Em projeto aprovado pelo Senado no dia 07 de abril, é disponibilizada a concessão de crédito para micro e pequenas empresas, no limite de até 50% da receita bruta (ou seja, o valor total que a empresa declarou que recebeu, antes da dedução de qualquer custo) do ano de 2019. Os juros sobre o valor do empréstimo será de 3,75% ao ano, com pagamento em até 36 parcelas, e o empréstimo será operado pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica.

Esse projeto ainda precisa de aprovação da Câmara e do presidente, então, é importante ficar de olho (as informações por aqui serão atualizadas).

Além disso, o Governo estuda liberar empréstimos através das linhas FCO / FNO / FNE com juros de 2,5% ao ano (ou seja, com taxa de juros menor que a básica da economia, que hoje é de 3,75%), com prazo de pagamento em até 24 meses e carência até 31 de dezembro de 2020. Esses fundos são concedidos através dos Bancos do Brasil, da Amazônia e do Nordeste, respectivamente. A princípio serão disponibilizados empréstimos para capital de giro com valor máximo de R$100 mil, e de investimentos com valor máximo de R$200 mil.

Para entrar em vigor, essa opção depende da publicação individual de Portaria do Ministério do Desenvolvimento Regional de cada uma das regiões, e não há ainda nenhuma previsão divulgada.

Foi ainda anunciada pela Caixa Econômica Federal uma linha junto ao Sebrae para Microempeendedores Individuais (MEI), Micro e Pequenas empresas. Ainda não há maiores detalhes, mas o anúncio está programado para o dia 20/04. O Sebrae também fez um material bem completo sobre as ações já disponíveis, clique aqui para baixar.

Nem sempre é a única saída

Bem, as opções anunciadas são variadas, mas nem por isso o empréstimo pode ser encarado com a primeira saída.

Vale lembrar que uma outra opção é buscar o capital de alguém que queira investir no seu negócio. Essa modalidade em geral traz menor risco financeiro, mas exige que a operação seja muito bem pensada e documentada, principalmente porque na maioria dos casos o investidor se tornará sócio da empresa.

Mas se o empréstimo ainda for a melhor solução no momento, é sempre muito importante pesquisar também as opções oferecidas na sua região e no banco onde a sua empresa já tem relacionamento. E vale lembrar que as taxas divulgadas variam conforme análise de crédito individual para cada negócio, e que nos casos de ação do governo, em alguns casos ainda cabe a taxa de juros de remuneração das instituições financeiras credenciadas. Por isso a pesquisa das condições oferecidas para o caso da sua empresa se faz muito importante!

Por fim, nunca é demais lembrar que qualquer decisão com esse nível de impacto deve ser acompanhada de um planejamento financeiro muito bem estruturado. Se você precisar de ajuda nessa etapa, deixe seu contato nesse link que entraremos em contato para conversamos melhor.

Esse artigo foi útil para você? Ficou com alguma dúvida? É só comentar aqui embaixo que já te respondo! Se esse artigo pode ser útil para alguém que você conhece, deixe essa pessoa saber. O conhecimento é melhor quando compartilhado!

Larissa Brito

Planejadora Financeira na Papo de Valor, é apaixonada por gestão financeira e acredita que isso fala mais de pessoas do que de números. Com foco em autônomos e empresas, sonha com que cada negócio leve o seu máximo potencial para o mundo, trazendo retorno financeiro, é claro!

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