Como se organizar para sair das dívidas

Aqui na Papo de Valor recebemos diariamente dúvidas e desabafos relacionados a finanças, e uma que sempre é frequente é sobre como sair das dívidas. Não é raro vermos alguém preocupado e sem saber o que fazer para sair dessa situação.

E se você chegou até aqui, essa pode ser uma preocupação por aí também e reconhecer que está endividada já é o primeiro passo para buscar solução, mas não para por aí.

Sair de uma situação de dívida é um processo lento, que envolve muitas questões e nem sempre é possível resolver tudo sozinha. Aliás, se puder contar com a ajuda de alguém, melhor.

Lidar com as dívidas mexe com muitas emoções, e é essencial contar com o apoio de pessoas que contribuem para melhorar a qualidade da sua relação com o dinheiro.

Como identificar uma pessoa parceira

Segue algumas perguntas para te ajudar a filtrar e refletir sobre quem poderia te oferecer um suporte nesse momento tão importante:

  • Você fica confortável em compartilhar suas experiências financeiras com ela?
  • É alguém que está disposta a te ouvir sem te julgar?
  • É uma pessoa que te incentiva a ser realista?
  • Ela é capaz de te ajudar a pensar com mais clareza, sem propagar pânico?

Se não for possível encontrar essa pessoa na sua rede de amigos ou familiares, você pode contar com o apoio de profissionais: planejadora financeira para questões financeiras e psicólogas para questões emocionais.

Ponto de partida para sair das dívidas

O próximo passo é entender qual o contexto. Nesta etapa buscamos visualizar o tamanho da dívida, qual é o custo atual e de onde ela veio.

Aqui, informações importantes serão levantadas: qual foi o acordo inicial do contrato? Têm garantias? Tem acesso aos documentos de formalização? É uma dívida no cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, crédito pessoal?

Um alerta! É natural ter dificuldade de encarar a realidade e não conseguir avançar.

Essa é uma reação automática da nossa mente, que tenta nos proteger de sentimentos que podem nos causar dor, por exemplo: vergonha ou culpa.

Mas lembre-se: o que você quer é aumentar a conscientização e entender quais foram os hábitos, situações e escolhas que te levaram ao resultado atual.

O que queremos aqui é iluminar o problema e assim construir o caminho para a mudança que você deseja.

Locais para consultar a dívida

Se você não tem ideia de onde começar a consultar as dívidas, compartilho abaixo alguns órgãos e empresas que mantêm os registros de operações de crédito e cobrança.

Basta acessar a página, fazer o cadastro e consultar pra saber quais são as pendências registradas no seu nome.

Consultar o CPF na Serasa
No Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)
• Existe também o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), Boa Vista
• E o registrato BACEN

Construindo um novo mapa

Quero propor um exercício, imagine que sua vida financeira é uma folha em branco. Não tem dívidas, pendências, nada.

Agora, comece a incluir o que é essencial nesse novo mapa, o que não dá pra viver sem. Seja honesta consigo mesma, não dá pra viver sem se alimentar, mas essa alimentação pode ser em casa ou em um restaurante cinco estrelas, o ponto aqui é: o que é ESSENCIAL.

Vale destacar que estamos buscando com esse exercício o equilíbrio nos gastos e espaço no orçamento para negociar as dívidas.

Antes de qualquer negociação é essencial que você conheça o seu orçamento. Saiba qual o valor da parcela que cabe no seu bolso.

Renegociar dívidas e não conseguir pagar, não é um bom negócio. Você pode perder as vantagens da negociação, como abatimento dos juros, descontos, garantias e o seu nome pode voltar ao cadastro de inadimplência. Por isso, tenha clareza sobre qual o valor é possível assumir no mês a mês.

Criando ordem de prioridade

Nem sempre é possível assumir o pagamento de todas as dívidas ao mesmo tempo, nesse cenário é preciso criar um plano de quitação para definir qual dívida será negociada primeiro.

A ordem de prioridade muda, dependendo de cada contexto. No entanto, aqui vão algumas sugestões pra você definir qual será a sua ordem de prioridade.

  • Qual é a dívida mais cara?
  • Tem alguma dívida com garantia?
  • Têm empréstimos com a sua rede de apoio, como amigos, família? Existe abertura para negociar o pagamento com essas pessoas?
  • Alguma dívida que impacta a sua fonte de renda?
  • Dentre essas dívidas, alguma delas com negociação de desconto no pagamento?

Depois de definir a lista de prioridades, o próximo passo é a negociação das dívidas.

Negociando a dívida

O fundamento dos contratos de crédito e financiamento é a confiança. É por isso que as instituições financeiras, antes de conceder o empréstimo, verificam as suas informações, pedem garantias… fazem isso para confirmar a sua capacidade de pagamento futura.

Quando esse pagamento não se confirma, gera uma série de transtornos e custos para as empresas e por essa razão, os credores são os principais interessados nessa negociação.

Nesse momento, é importante ter todos os documentos da negociação inicial em mãos, é fundamental conhecer o orçamento e saber qual a possibilidade de pagamento que você pode assumir. Assim, diminui o risco de você negociar um contrato, e não conseguir cumprir com o acordo.

Acompanhamento constante

Débitos negociados não significa que se pode abandonar o planejamento financeiro, é preciso ficar atenta às despesas para que nada saia dos trilhos novamente.

Com a queda dos compromissos com terceiros, o orçamento terá mais espaço para fazer novas escolhas, e esse pode ser um bom momento para começar a preservar um valor para o seu futuro, construindo sua reserva financeira.

Aproveito para deixar aqui algumas dicas de leituras para que possa continuar avançando no processo de organização e planejamento financeiro:

E se esse artigo foi útil para você ou conhece alguém que está buscando sair das dívidas mas não sabe por onde começar, compartilhe esse artigo!

Keylla Santos

Consultora Financeira Pessoal da Papo de Valor. Acredito que finanças é uma parte de um todo. Sendo assim, para ter uma vida tranquila, com autonomia e liberdade é preciso ter conhecimento dos números e do comportamento para tomar boas decisões. É por isso que eu facilito processos de planejamento e organização financeira.

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