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Porquê ter um controle financeiro do negócio e como interpretar o que está acontecendo

Uma das únicas regras que defendemos com unhas e dentes aqui, é que um negócio precisa ter um bom controle financeiro. É necessário sim, saber tudo o que e entra e tudo o que sai, e um dos principais motivos é que só assim conseguimos partir para o próximo passo: entender o que esse controle nos diz.

Números se não são interpretados são apenas números, mas se olhados com atenção e uma dose de curiosidade se transformam em informações, e é sobre isso que estamos falando.

Para entendermos as informações que um bom controle financeiro fornece é interessante falarmos sobre o caminho do dinheiro dentro do negócio. E gosto de imaginar esse caminho como um jogo de tabuleiro (não por acaso é ele que ilustra esse artigo).

A gente inicia esse jogo – tal qual em um famoso jogo de tabuleiro que envolve dinheiro de mentira, ações e imóveis em bairros conhecidos, sabe? – com um determinado valor em mãos, que é o nosso faturamento.

Start do jogo – o nosso faturamento

Concorda que para termos noção se o negócio é lucrativo ou não, se é compatível com o nível de trabalho e investimento, o primeiro passo é saber o quanto esse negócio recebe? Por isso é preciso controlar as nossas entradas.

Saímos do ponto de partida com esse valor em mãos, vamos passando pelas casinhas do tabuleiro, pagando um custo aqui e ali, e aí entendemos com o quanto estamos no ponto de chegada, e qual a situação do negócio a cada rodada do jogo – o objetivo do controle de saídas é justamente entender o quanto fica em cada casinha.

Primeira casinha: pague seus impostos!

Aqui vou considerar que o seu negócio paga impostos sobre o faturamento (o que acontece com quem está no Simples ou opta pelo Carnê Leão, por exemplo). Para cada venda que o negócio faz, para cada cliente que contribuiu com o valor total que tem em mãos, você paga uma % de impostos.

Assim, na primeira rodada você já precisa considerar o quanto o negócio tem desse custo que é proporcional ao quanto recebeu, e segue para a próxima jogada.

Segunda casinha: os seus custos variáveis

Além dos impostos, existem outros custos que você tem com a produção e entrega do que vende, e que acompanham o seu faturamento – eles são os chamados custos variáveis.

Se você revende camisetas, quanto mais camisetas vender, mais produtos precisa comprar, certo? Se vende bolos prontos, precisa comprar mais ingredientes para entregar mais bolos. Um arquiteto tem custos com plotagem e encadernação para cada projeto que entrega. Esses são alguns exemplos e a lógica é a mesma para qualquer negócio. Existem custos que acontecem conforme as vendas ou o faturamento, ou seja, variam na mesma proporção. E são esses custos que a gente deixa aqui, na segunda rodada.

Então vamos lá, o faturamento menos os impostos menos os custos variáveis é o que sobra. E esse valor restante é o que chamamos de margem de contribuição. Essa margem é um dos indicadores mais importantes de um negócio, e representa o quanto efetivamente fica para a empresa lidar com as suas despesas e resultados.

(você acaba de tirar a cartinha da sorte e vai uma dica aqui: existe a margem de contribuição de todo o negócio, e existe a de cada produto ou serviço, concorda? A margem do negócio todo é formado pela margem de tudo o que ele vende, então vale tirar as informações nesses dois níveis de detalhes para entender ainda mais os seus resultados)

Terceira casinha: lembre-se das despesas fixas

Pois bem, entendemos o quanto sobrou até agora do dinheiro que tínhamos lá no começo do jogo. E na terceira rodada é hora de pagar tudo o que o negócio tem de despesas que acontecem sempre, independente do quanto foi vendido ou faturado – elas são chamadas de despesas fixas.

Aqui entram o aluguel e todos os custos mensais relacionados com o espaço físico, salários de funcionários e impostos sobre a folha, mensalidades de programas e o seu Pro Labore, por exemplo. Se você é MEI, o imposto mensal é fixo, não depende das vendas e entra aqui também!

Nesse ponto dá para entender que o total dessas despesas fixas precisa ser menor do que o valor que chegou até aqui. E isso já dá um direcionamento enorme sobre os resultados.

Ao final dessa rodada temos o que chamamos de lucro operacional, que é calculado assim:

faturamento – impostos – custos variáveis – despesas fixas – Pro Labore

Esse lucro operacional nos conta qual foi o resultado do negócio, considerando a operação dele, ou seja, as entradas e saídas que aconteceram para ele exercer o que ele se propôs a fazer no mundo. Mas esse ainda não é o resultado final, que só acontece na próxima rodada.

Quarta casinha: para finalizar, entradas e saídas não operacionais

Vamos lá, mais importante que os nomes longos é a ideia. Às vezes acontecem algumas entradas e saídas no nosso negócio que estão muito mais relacionadas à decisões estratégicas e de gestão, mas que impactam no financeiro da empresa da mesma forma.

São recebimentos e pagamentos de empréstimos, investimentos em bens duráveis ou em produtos bancários, o resgate desses investimentos, retiradas de lucros.. esses são exemplos que acontecem, influenciam no saldo da conta do negócio, mas não estão diretamente relacionados à operação dele.

Agora sim chegamos ao resultado final, que chamamos de lucro líquido (e é ele que de fato diz se há dinheiro suficiente para pagar as contas). Mas é analisando cada uma dessas casinhas que conseguimos entender onde está um possível problema e onde há margem para melhorar os resultados olhando mais estrategicamente.

Esse é exatamente o ponto de partida das nossas consultorias empresariais. Fazendo esse caminho do dinheiro dentro do negócio, traçamos um diagnóstico e pontuamos formas de melhorar a estratégia – o foco é que aquele faturamento do começo do jogo represente o máximo de lucro líquido possível.

Por aqui defendemos que esse não é um jogo em há competidores, pelo contrário, é uma caminhada particular, mas que todo mundo ganha quando um negócio consegue chegar ao final das rodadas com o maior lucro possível. E o nosso papel é trazer apoio, clareza e segurança nessa jornada!

Para conhecer mais do nosso trabalho, é só clicar aqui.

Larissa Brito

Planejadora Financeira na Papo de Valor, é apaixonada por gestão financeira e acredita que isso fala mais de pessoas do que de números. Com foco em autônomos e empresas, sonha com que cada negócio leve o seu máximo potencial para o mundo, trazendo retorno financeiro, é claro!

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