Você quer abrir um espaço físico, mas não sabe se consegue pagar?

Para uma boa parte dos profissionais autônomos, ter um espaço para receber seus clientes faz parte de um sonho idealizado há muito tempo. Sem sombra de dúvidas esse é um grande passo, que deve ser pensado com todo o cuidado e adaptado à sua realidade.

Não existe regra que diz “ganhe tal valor e você já estará apto a abrir o seu espaço”, nem mesmo quando falamos de profissionais de uma mesma área.

Cada história é única, tem suas próprias peças de quebra-cabeça e seu jeito individual de ser montado.

Para mostrar um pouco disso, hoje eu vou contar a história da Sarah, que pode servir como uma inspiração para você refletir sobre a sua realidade. Confira!

Sarah, 28 anos, maquiadora

A Sarah trabalha há algum tempo em sua própria casa. Mas agora, já com uma certa previsibilidade de atendimentos e alguma bagagem profissional, ela tem sentido que é o momento de alugar um espaço físico.

Ter um cantinho com a sua cara, com as cores que gosta e em um ambiente confortável para atender seus clientes é o que sempre sonhou.

Porém, por mais que a gente esteja falando da realização de um sonho, ainda é preciso olhar para os números com uma dose de praticidade.

Quando falamos em ter uma estrutura física, falamos também em assumir o compromisso de pagar novas despesas mensalmente com coisas como: aluguel, energia, água, IPTU, faxina, entre outros.

Encarando a realidade na hora de abrir o seu próprio espaço

Hoje, a realidade da Sarah é mais ou menos assim: ela tem 20 horários disponíveis para atendimentos toda semana. Mas acontece que, na prática, por mais que esteja com a agenda constantemente lotada, sempre tem um cliente que desmarca em cima da hora ou algum outro de imprevisto acontecendo.

Com isso, ela atende de fato por volta de 16 pessoas por semana. Hoje o preço da sua produção é – em média – R$200, mensalmente ela recebe por volta de R$12.800.

Apesar de receber este valor por mês, esse não é o valor que a gente entende como pró-labore ou lucro da Sarah.

É preciso entender também os custos profissionais que ela tem, que atualmente são com: contabilidade, INSS, taxas anuais da empresa, entre outros.

E além das despesas fixas ainda tem os gastos com impostos e compras de produtos de maquiagem – estes sobem à medida que ela atende mais ou diminuem à medida que ela atende menos.

Quando somamos as despesas e provisionamentos realizados mensalmente chegamos a um valor próximo de R$3.300.

Por sua vez, a Sarah tem o hábito de retirar R$8 mil para os seus gastos pessoais, e o que sobra deixa para reservas ou distribuição de lucro (a depender do momento). No fim das contas, costuma sobrar algo em torno de R$1.500.

Acontece que ao orçar o preço de manter uma estrutura física, ela chegou à conclusão de que teria novos gastos na ordem de R$2.200.

Agora, como fazer para tornar este sonho realidade? No caso dela existem algumas maneiras e são essas maneiras que vamos discutir por aqui.

Alternativa 1: vender mais horas

Já comentamos anteriormente sobre algumas formas de aumentar o faturamento para quem vende serviços, e uma delas é sobre vender mais horas de trabalho.

Mas você pode se perguntar: como isso seria possível na prática?

Nesse cenário ela poderia abrir mais vagas na agenda, ou seja, trabalhando em outros horários que hoje em dia ela não trabalha. Ou até mesmo melhorando a sua produtividade, realizando produções mais rapidamente.

Suponhamos que com esse aumento ela consiga atender 19 clientes todas as semanas, assim o seu faturamento sobe para R$15.200.

Desta maneira, além de aumentar os custos relacionados ao espaço físico, aumentam também o valor pago em imposto e os custos relacionados à compra de produtos de maquiagens.

Mas mesmo com a elevação dos gastos da empresa ela consegue manter o seu pró-labore no valor de R$8 mil reais e manter um valor próximo de R$1.500 para reservas ou distribuição de lucro.

Alternativa 2: aumentando o valor da hora de trabalho

Outra alternativa possível seria não alterar a quantidade de atendimentos realizados, mas elevar o preço do seu serviço.

Suponhamos que ela consiga aumentar de R$200 para R$235 o valor médio da produção.

Isso faz com que o seu faturamento suba para R$15.040 reais, com isso o gasto com impostos sobe, mas os custos com produtos de maquiagem não.

Nesse cenário ela ainda consegue manter o pró-labore no valor de R$8 mil reais e um valor próximo de R$1.500 para reservas ou distribuição de lucro.

Alternativa 3: um combo dos dois

Vimos anteriormente dois caminhos possíveis para viabilizar a migração para uma estrutura física. Agora que tal seria misturar um pouquinho dos dois?

No caso da Sarah, ela acredita que é sim possível aumentar o valor do seu serviço em R$25 sem perder clientes.

E mais do que isso, ela acredita que consegue atender uma cliente a mais por semana mesmo com o aumento de preço.

Com esse cenário ela consegue absorver o custo relacionado a sua sala comercial, e ainda aumenta um pouquinho o lucro esperado.

Dois pontos de atenção!

Para além dos gastos mensais, é importante estar atento à existência de um custo de instalação: uma pequena reforma, compra de móveis e equipamentos.

Tudo isso precisa ser orçado e poupado com antecedência, fazendo com que o passo em direção ao crescimento do seu negócio seja certeiro e com menos riscos envolvidos.

Além disso, entendendo que os custos fixos irão aumentar, é importante tomar o cuidado de aumentar também a reserva financeira deste negócio.

Se antes, para cobrir os custos fixos de um mês eram necessários R$9.800 reais, agora são necessários R$12 mil reais, e ter uma reserva para cobrir alguns meses caso algum imprevisto aconteça é bastante importante.

Existe um mundo de possibilidades para quem quer abrir um espaço pra chamar de seu!

Por aqui falamos somente de duas alternativas de mudanças (número de atendimentos e preço) e a possível mescla de ambas, porém ainda existe um universo de possibilidades que poderiam ser exploradas.

Opções como: oferecer cursos de automaquiagem para grupos, montar pacotes diferenciados, contratar assistentes para melhorar a produtividade e ampliar as vagas de agenda, e claro, outras misturas entre essas possibilidades como um todo.

Fato é que um único texto não seria suficiente para discutir todas as alternativas de crescimento que cada negócio possui.

Por isso, busquei trazer apenas um recorte específico, mas desejo que sirva como inspiração, e mais do que isso: um alerta para a que é preciso estar atento em situações de grandes mudanças.

Empreender é também ter criatividade com as peças do seu quebra-cabeça e se você sente que precisa de ajuda para explorar as suas possibilidades, fique à vontade para clicar neste link e entender como funciona a consultoria para pequenos negócios da Papo de Valor.

Lorena Pires

Consultora Financeira Pessoal da Papo de Valor. Acredita que por mais “exata” que seja a matemática, nem tudo são números. Atuar ajudando pessoas a se organizar financeiramente – e consequentemente colaborar para que tenham uma vida mais livre – é seu principal propósito.

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