Papo de Valor

Até onde o seu otimismo impacta o seu negócio?

De acordo com os últimos levantamentos feito pelo Sebrae (2016) e pelo IBGE (2017), 60% de novas empresas brasileiras fecham as portas em até cinco anos – em 23% dos casos esse fechamento acontece até no segundo ano. E quando falamos de microempresas esses dados são ainda mais delicados: 50% delas fecham em até dois anos.

O objetivo aqui não é te desanimar com as estatísticas, mas te orientar a lidar com elas. E de cara preciso te contar o que Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2002 após décadas de estudos em economia comportamental, argumenta como uma das causas desses números:


“A maioria dos executivos não tem consciência dos riscos que assumem ao tomar uma decisão. O otimismo natural do ser humano – e talvez exagerado no empreendedor – e sua inclinação a confiar demais nas próprias habilidades são um obstáculo na hora de calcular as probabilidades de êxito de um novo empreendimento”.

O otimismo exagerado

Ainda que eu cite que de acordo com o Sebrae 31% dos empreendedores que fecharam as portas alegaram dificuldades com impostos, despesas e juros, 25% indicaram problemas com gestão, administração e serviços contábeis e 25% disseram que houveram problemas financeiros diversos, fato é que empreendedores em geral dificilmente buscam algum apoio na área.

Isso acontece, segundo Kahneman, principalmente porque nós, indivíduos, superestimamos os nossos próprios talentos e nos julgamos “acima da média” em nossas características e habilidades, e esse excesso de autoconfiança pode nos levar a imaginar que conseguiremos facilmente superar imprevistos de toda natureza.

Aliás, existe uma tendência não só em superestimar os nossos próprios talentos, mas também em subestimar eventos que não estão de alguma forma no nosso controle – os chamados eventos aleatórios e incontroláveis.

(e aqui vai um segredo: não por acaso, aqui na Papo de Valor há mais procura por consultorias envolvendo problemas financeiros já instalados, do que com o objetivo de formação complementar para entender do negócio antes mesmo da empresa existir).

A falta de conhecimento sobre gestão e viabilidade financeira

Inclusive, já citei ali as estatísticas das principais causas do fechamento das empresas nos primeiros anos: a falta de clareza sobre a gestão financeira e de entendimento da viabilidade do negócio.

No chamado estudo de viabilidade, um dos pontos a serem considerados é a existência de demanda para o produto ou serviço oferecido, o qual precisa resolver um problema real. Mas não basta atender a demanda de um público, o negócio precisa ser rentável. E o estudo de viabilidade financeira busca principalmente entender se esse negócio se sustenta, e ainda, se a rentabilidade dele é coerente com o investimento feito e com o que o investidor imagina e deseja.

Por fim, através de indicadores econômicos encontrados no estudo de viabilidade financeira é possível comparar o retorno de um negócio com a rentabilidade de outros possíveis projetos e investimentos – sempre considerando o retorno financeiro e o nível de comprometimento de dinheiro, tempo e energia necessários.

O estudo de viabilidade é um planejamento e uma diretriz importante para novos projetos, mas por essa você não esperava: ele não garante a eficácia do negócio, e segundo Kahneman, sua existência inclusive pode aumentar a tal sensação de otimismo, o que indiretamente acarreta a propensão ao insucesso.

A falácia do planejamento no estudo de viabilidade

Uma coisa é fato: nem nos melhores planejamentos é possível abordar e considerar todos os riscos reais a que um negócio está exposto. Empreender é correr riscos e esperar um retorno financeiro na mesma proporção.

Se por um lado o planejamento mapeia o máximo de possibilidades antes que as mesmas se tornem realidade completa e assim prepara o negócio para enfrentá-las minimizando os riscos possíveis, por outro, segundo Kahneman, o planejamento pode ocasionar um excesso de confiança e levar as empresas a subestimar o risco de insucesso. Ainda segundo o psicólogo, “um plano é apenas um cenário, que por definição é otimista”.

Considerando ainda o impacto do otimismo, é preciso perceber inclusive em quais outros pontos de um estudo de viabilidade ele se faz presente: no estudo de demanda, é preciso ter certeza de que as pessoas realmente precisam e querem o que se tem a oferecer, acima de qualquer apego pessoal, afeto pela ideia ou.. otimismo.

O mesmo ponto deve ser considerado na análise de concorrentes: será que o que se oferece realmente é superior ao que já é ofertado no mercado, ou essa comparação faz parte do otimismo em superestimar os próprios pontos pessoais e subestimar o potencial da concorrência?

Então quer dizer que é melhor seguir sem um plano?

Aqui até o próprio Kahneman é enfático: claro que não! O ponto é entender o efeito do excesso de confiança ocasionado pela existência de um plano, e seguir com o planejamento ponderando esse sentimento em todas as decisões.

Além disso, é preciso compreender a existência, a probabilidade de ocorrência e o impacto possível desses eventos aleatórios e imprevisíveis. E entender que mesmo sendo humanamente impossível mapear todas as possibilidades (vide COVID, ano de 2020, isso te lembra alguma coisa?), é preciso tentar administrar os riscos envolvidos. E ter um plano minimiza a possibilidade de ocorrências não previstas, além de tornar o ato de replanejar e promover pequenas alterações em relação a um plano base, uma referência muito mais segura do que não ter norte algum para tomadas de decisão.

Mas se a abordagem sobre o excesso de otimismo tão estudado por Kahneman te assustou, a orientação do autor para combater as consequências desse sentimento é justamente ter consciência da sua influência e contar com um olhar externo sobre o assunto. Isso garante uma visão mais imparcial e menos apaixonada pela ideia, o que diretamente diminui a possibilidade de ocorrência de decisões excessivamente otimistas.

E claro, quanto mais formação o empreendedor busca em todas as áreas que envolvem ter um negócio, melhor o seu preparo frente a situações difíceis e maior o nível de maturidade para tomadas de decisão mais assertivas em momentos estratégicos.

Aqui na Papo de Valor trabalhamos com diferentes possibilidades para te apoiar nesse processo. Oferecemos consultoria para quem pensa em abrir um negócio e entende a importância de validar sua viabilidade financeira, para quem deseja entender mais de gestão financeira de forma geral e completa, para quem já tem um negócio e quer entender a viabilidade atual e até para quem já percebeu que existe aí um problema – vamos juntos, entendendo o seu processo e as suas metas pessoais com o negócio e sempre, sempre, mantendo orientações realistas. Quer saber mais? É só colocar o seu contato aqui que entrarei em contato com você, e juntos vamos entender a melhor orientação para o seu momento.

Por fim, fica aqui uma frase de Tom Griffiths, outro professor e pesquisador de psicologia e ciências cognitivas: “Não podemos controlar resultados, apenas processos. E desde que tenhamos usado o melhor processo, fizemos o nosso melhor.”

Se você gostou do assunto, indico a leitura desse texto da Lorena, planejadora financeira pessoal da Papo de Valor, que complementa bem o assunto!

Larissa Brito

Planejadora Financeira na Papo de Valor, é apaixonada por gestão financeira e acredita que isso fala mais de pessoas do que de números. Com foco em autônomos e empresas, sonha com que cada negócio leve o seu máximo potencial para o mundo, trazendo retorno financeiro, é claro!

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