Planejamento financeiro e divórcio: como se organizar nessa fase

Quando falamos sobre planejamento, também falamos da possibilidade de realizar sonhos e conquistar objetivos. Mas o que pouca gente diz por aí é sobre se planejar também para momentos desafiadores, como se preparar financeiramente para um divórcio ou ter um plano para caso isso aconteça.

E eu sei que em alguns momentos tudo que a gente menos quer é olhar para os números e pensar na vida financeira, já que a vida pode estar de cabeça pra baixo. Mas por mais delicado que seja, é preciso olhar para as finanças mesmo nesses momentos.

A intenção com esse artigo é te ajudar a refletir sobre o que precisa ser considerado durante esse processo para que você possa enxergar com clareza a sua situação e, com isso, lidar com os desafios que virão de uma forma um pouco mais leve.

Finanças e divórcio, um papo necessário!

É comum evitar olhar para a própria realidade financeira em períodos difíceis, por não querermos adicionar o que pode vir a ser mais um problema às preocupações que já existem. Entretanto, não olhar para a situação não faz ela sumir, e quanto mais tempo deixamos isso de lado, mais difícil fica a solução.

Tenho em mente que essa leitura e o exercício proposto podem ser difíceis para algumas pessoas ou trazer alguns sentimentos de ansiedade. Caso isso aconteça, lembre-se que mesmo sendo difícil, te ajudará muito no processo de decisão e a se preparar melhor para o que venha a acontecer.

O planejamento nos dá o poder de escolher as variáveis de forma antecipada e nos ajuda a evitar que decisões sejam tomadas de forma que possam nos prejudicar futuramente.

Por isso, você terá ferramentas para decidir em quanto tempo precisa se organizar e o que é possível fazer no momento.

Primeiro passo: reflita sobre sua vida após a separação

É fato, a vida vai mudar! E para que você saiba quanto vai precisar, é preciso primeiro pensar sobre a sua nova vida.

Mas calma, não precisa ter todas as respostas agora, apenas levantar hipóteses e pensar qual situação seria mais provável. Isso já ajudará bastante!

E aqui vai uma dica: considere sempre o pior cenário, assim, caso ele aconteça você já está preparada, e caso não, você está segura.

Aqui estão algumas perguntas que podem te ajudar a refletir melhor sobre esses pontos:

  • Onde irá morar após o divórcio?
  • Caso tenha filhos, com quem ficará a guarda deles?
  • Caso fique com a guarda, receberia pensão? Se sim, qual seria mais ou menos esse valor?
  • Durante o processo, será necessário vender bens, como a casa ou o carro?
  • Caso possuam dívidas e financiamentos, como serão pagos após o divórcio? Quem arca esses custos ou como irá se resolver?

Segundo passo: Levantar os custos da sua nova vida

Algo para se questionar após refletir sobre os pontos acima é: qual sua renda atual e como irá arcar com seus custos? Se for autônoma, tente levantar o que aconteceu nos últimos meses.

Depois de conseguir entender melhor o cenário atual, é preciso colocar os valores no papel e entender o que será necessário para a vida daqui em diante.

Então, pegue uma folha de papel ou abra uma planilha e vá anotando os custos abaixo:

Olhe para as dívidas

  • Veja o que já está em andamento, anote os valores das parcelas que terá que pagar e quanto ainda falta para quitá-las. Aqui, entram dívidas como financiamentos ou empréstimos.
  • Verifique se não há nenhuma dívida atual, como: cheque especial ou alguma fatura atrasada do cartão.
  • Levante o valor das próximas faturas, somando as parcelas em aberto no cartão para cada mês, assim você já sabe quanto já está comprometido no mês. Algumas operadoras já tem a opção de checar qual o valor das próximas faturas!
  • Dica de ouro: já comece a reduzir (e se possível parar) as compras parceladas. Reduzir compromissos financeiros pode te ajudar muito em momentos de incerteza.

Anote os custos fixos

Com a vida em mudança, é preciso entender melhor e se preparar para os gastos fixos que você terá mensalmente, como: aluguel, água, luz, plano de saúde e toda e qualquer conta mensal que vá assumir.

Ao final desse levantamento, some todos os valores para conseguir estimar o quanto será necessário todo mês.

Levante também os custos variáveis

Tente estimar um valor para aquelas contas que podem variar durante o mês, como: supermercado, farmácia, delivery, lazer, entre outros.

Se não tem ideia de quanto gasta com esses itens, uma sugestão é olhar para gastos passados ou até mesmo ir anotando durante a semana para conseguir entender melhor como é o seu ritmo.

Fazendo isso, conseguirá estimar um valor que precisa separado para esses momentos.
Se quiser mais detalhes sobre esses custos, temos esse artigo aqui.

Não se esqueça dos gastos eventuais

É bastante comum acabarmos deixando de lado aqueles gastos que acontecem com uma frequência menor, como por exemplo: IPVA, seguro do carro, IPTU, conselho profissional, etc. Todos esses são custos anuais, mas que fazem parte do nosso orçamento.

Para não deixá-los de fora, minha sugestão é que você some o valor anual e divida por 12, assim terá uma noção do proporcional mensal.

Com a soma do valor de parcelas de dívidas, custos fixos, custos variáveis e proporcional mensal dos gastos eventuais você tem uma estimativa do quanto deve vir a custar o seu padrão de vida.

A ideia é que a sua renda (a partir do momento do divórcio) seja suficiente para arcar com eles, e se não for, alguns gastos precisam ser repensados e eventualmente retirados do orçamento.

Terceiro passo: Pensar nos custos referentes ao momento de transição

Aqui entramos em uma parte que pode ser ainda mais delicada e difícil de lidar. Afinal, além de se organizar financeiramente para viver após o divórcio, é preciso também considerar eventuais custos que terá com o processo.

O processo de separação gera custos judiciais e de cartório, além de precisar envolver advogados. Quanto maior o número de bens partilhados, maior o custo. É possível estimar esse custo ao orçar preços com advogados.

Um outro ponto é com relação a mudança, compra de eletrodomésticos, entre outros. Faça orçamentos, levante o que é indispensável e necessário para essa nova fase.

Com a soma destes orçamentos em mãos você tem um valor aproximado do quanto precisa ter para lidar com este momento pontual, e o ideal é que você separe um valor (ou comece a poupar mensalmente) para arcar com os custos que serão devidos.

Precisamos falar dela: a reserva financeira

A venda e partilha de bens e o direito do recebimento da pensão alimentícia podem demorar um tempo para serem resolvidos. Além disso, emergências acontecem em momentos que não conseguimos prever.

Alguns exemplos podem ser custos de saúde ou perda de trabalho. Por isso, é imprescindível termos uma reserva para quando eventos não esperados acontecem.

Ela te dará uma maior tranquilidade para esse passo com menor risco envolvido. Já comentamos em um outro artigo sobre a importância da reserva financeira e como começar a construí-la!

Um conselho não financeiro para essa fase

Quero te lembrar de cuidar da sua saúde mental. O processo de separação pode envolver um grande desgaste emocional e olhar para as finanças nesses momentos também, principalmente quando a situação está apertada.

Te aconselho a buscar ajuda de amigos, familiares ou profissional quando possível ou necessário. É importante que você tenha uma rede de apoio com quem conversar e se apoiar.

É muito comum a gente se assustar quando colocamos o número no papel, mas precisamos entender que é um processo.

Fazendo o exercício de controle financeiro todos os meses, já destinando no início do mês o valor que teremos disponível para cada área, aos poucos a vida vai se organizando melhor.

Caso queira um acompanhamento profissional no processo, entre em contato para saber mais sobre a nossa consultoria, clicando nesse link!

Camila Prado

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